
(Ela entra no restaurante, senta-se e pedi um café. Um rapaz pedi pra se sentar na mesma mesa que a dela.)
─ Posso?
─ Claro. Fique a vontade.
(Ele se senta.)
─ Porque quis se sentar aqui?
─ É porque eu te vi, e achei interessante a forma como você se expressa.
─ (Risos) Ah, é? Pois eu não acho.
─ Sua forma de falar, seu jeito de mexer o cabelo… É encantador.
(Envergonhada.)
─ Nossa, parece que você me conhece.
(Sorri.)
─ Eu te conheço muito mais do que você imagina.
─ Sério? Mas você acabou de me conhecer, pedindo pra se sentar aqui.
─ Não, não… É tô vendo que pelo visto você esquece rápido das coisas.
─ Me diz então, mais coisas sobre mim…
─ Você é boba, adora quando te chamam de “minha pequena.” Sempre sorri quando te surpreendem, adora carinhos e um abraço inesperado. É chata, adora irritar as pessoas e ama fazer cocegas. Odeia sentir ciúmes de quem ama, mas não admiti. É orgulhosa, e se apega fácil á alguém. Pensa bastante no futuro, e adora ficar imaginando uma família com á pessoa que ama. Tem um jeito de menina, mas ao mesmo tempo de mulher… E, por um acaso tu namoras?
─ Uau! (Sorrindo.) Pelo visto você me conhece muito bem. Parabéns. (Rindo.) Não, eu não namoro.
─ E namorava?
─ Sim, mas depois que sofri um acidente e perdi a memória parece que ele desistiu de me reconquistar denovo.
─ Será mesmo? Talvez ele pode estar na sua frente agora.
(Ela olha em seus olhos.)
─ Qual é seu nome?
─ Sou aquele que você costumava chamar de “meu amor.

Vivo tendo momentos nostálgicos, apenas por lembrar de como tudo era antes. Essas lembranças enlouquecem, machucam e corroem até o último canto da alma, fazendo você sentir uma falta absurda de algo que sabe que não pode voltar.
Pareço está entre nuvens cinzas, pareço está em um mundo contra mim.Fico tão rodeada de pessoas, mais ainda me sinto vazia. As pessoas que eu preciso não estão aqui, as coisas que ontem me alegravam já não tenho mais. Queria fazer um pedido agora, queria mais ainda que ele se realizasse, ou só queria mesmo voltar no tempo. Queria poder engolir essa sensação de mal estar e seguir diferente, ou pelo menos tentar ver as coisas diferentes. Louco seria se as coisas ocorressem do jeito que eu penso, do jeito que eu desejo. Seria tão bom ter desejos e vontades, mas que no fim se cumprissem de verdade. Sim… tem outros dias, mas os outros dias já estão cheios da mesma história da mesma tristeza, da mesma linha de dor. Eu me odeio por não querer encontrar outras pessoas, me odeio por seguir nessa vida hipócrita. As vezes as coisas boas duram, mas basta as ruins pra me fazer esquecer os momentos bons, as vezes eu queria apenas dormir sem lembrar do que senti ou do que vivi. Mas eu fico aqui, cheia de confusão na cabeça , sem entender nada que se passa comigo…

“Gosto dessa coisa sabe? Dessa coisa de ficar sozinho. Sei lá, eu me sinto mais seguro. Não estou perto de ninguém que possa vir machucar-me. Estou somente comigo. Eu e mais eu. Estou com uma das únicas pessoas que eu confio. Eu mesmo. Sei muito bem o que é bom e o que não é bom para mim. Quando estou sozinho, posso ler meu livro, ouvir minha música. Posso estar alegre e colocar aquela música que me deixa animado e dançar na frente do espelho. Quando estou pra baixo, posso colocar aquela música. Aquela bem filha da puta. Que me deixa pior ainda. Mas eu estou comigo mesmo. E querendo ou não, estou seguro. Quando não estou bem, prefiro ficar sozinho. No começo, a dor parece estar grudada, mas depois ela vai indo embora e quando você percebe, já estou dando risada. Sou um tanto quanto estranho, eu sei. Mas depois de tanto machucar-me, esta é a melhor opção. Ficar sozinho. Sem decepções. Sem mágoas. Na verdade, nessa coisa de ficar sozinho, eu saio ganhando sempre.”
— Querido John


